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Políticas de tratamento à doença, taxação de ultraprocessados ou foco em crianças: veja o que pensa cada um dos presidenciáveis
Introdução A obesidade avança no Brasil, com quase 30% da população acima de 25 anos afetada. A análise dos planos dos candidatos à Presidência revela a ausência de estratégias detalhadas e específicas para o combate à doença, apesar de propostas gerais que poderiam tangenciar o tema. Entenda as abordagens de Lula e Flávio Bolsonaro sobre prevenção, tratamento, acesso a medicamentos e alimentação saudável.
Principais Tópicos Brasil registra quase 30% da população adulta com obesidade, segundo o GBD 2023. Planos de governo de Lula e Flávio Bolsonaro não detalham estratégias específicas contra a obesidade. Lula defende a distribuição gratuita de "canetas emagrecedoras" pelo SUS; Ministério da Saúde já analisa a incorporação. Flávio Bolsonaro questiona a viabilidade financeira da distribuição de medicamentos e critica taxação de ultraprocessados. As propostas dos candidatos divergem na prevenção e tratamento da obesidade e na promoção da alimentação saudável.
Brasil registra quase 30% da população adulta com obesidade, segundo o GBD 2023.
Planos de governo de Lula e Flávio Bolsonaro não detalham estratégias específicas contra a obesidade.
Lula defende a distribuição gratuita de "canetas emagrecedoras" pelo SUS; Ministério da Saúde já analisa a incorporação.
Flávio Bolsonaro questiona a viabilidade financeira da distribuição de medicamentos e critica taxação de ultraprocessados.
As propostas dos candidatos divergem na prevenção e tratamento da obesidade e na promoção da alimentação saudável.
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A obesidade avança em ritmo preocupante no Brasil.
De acordo com o Global Burden of Disease (GBD) 2023 , publicado agora em setembro de 2026 na revista The Lancet Regional Health – Americas , o Brasil já possui quase 30% da população (27,7%) acima de 25 anos com a doença, e quase 70% (66,8%) com excesso de peso (sobrepeso e obesidade).
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Diante desse cenário, entender o que os candidatos à Presidência da República, Lula e Flávio Bolsonaro, propõem para enfrentar o problema ganha ainda mais importância.
Para começar, nenhum dos dois apresenta, em seu planos de governos oficiais que constam no site do TSE, uma estratégia detalhada e específica de combate à obesidade. Termos como “ obesidade ” e “canetas emagrecedoras “, por exemplo, sequer aparecem nos documentos.
O programa de Lula propõe ampliar equipes multiprofissionais, integrar atenção primária, assistência farmacêutica e serviços especializados, expandir teleconsultas e fortalecer o acompanhamento de condições crônicas .
Essas propostas podem beneficiar pacientes com obesidade, embora o trecho sobre saúde não estabeleça uma nova linha de cuidado específica para a doença .
Já no de Flávio há propostas gerais para prevenção de doenças, exames preventivos, fortalecimento da Saúde da Família, telessaúde e ampliação do acesso a medicamentos. São ideias de organização da assistência que também podem ser benéficas a população com obesidade, mas não equivalem a um programa específico de enfrentamento do problema .
A equipe de VEJA, numa parceira com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), entrou em contato com a assessoria dos candidatos para perguntar sobre políticas para o enfrentamento da obesidade e dos problemas metabólicos, mas não teve respostas.
Assim, para entender o que cada candidato pensa sobre um dos principais desafios de saúde pública do país, reunimos declarações públicas, propostas e medidas já adotadas ou encaminhadas , incluindo ações dos governos de Lula (2023-2026) e Jair Bolsonaro (2019-2022), que é considerado pelo filho um modelo para sua hipotética gestão.
A comparação se estrutura em três frentes: políticas públicas de prevenção e tratamento da obesidade, acesso às canetas emagrecedoras e programas de promoção da alimentação saudável.
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Prevenção e tratamento da obesidade
Em 2025, o governo Lula apresentou a Estratégia Intersetorial de Prevenção da Obesidade , que busca enfrentar a doença por meio de ações articuladas entre saúde, educação, assistência social, alimentação e planejamento urbano.
A política parte do reconhecimento de que a obesidade é uma doença crônica , mas também um problema social influenciado por fatores como renda, acesso a alimentos saudáveis e condições de vida. Diferentemente de uma iniciativa restrita ao atendimento médico, a estratégia pretende modificar os ambientes que favorecem o desenvolvimento da obesidade.
Flávio Bolsonaro nunca chegou há mencionar políticas públicas para o enfrentamento desse problema, mas no governo de seu pai, Jair, houve uma iniciativa: Proteja — Estratégia Nacional para Prevenção e Atenção à Obesidade Infantil (2021) , durante a gestão do ex-Ministro da Saúde Marcelo Queiroga.
A estratégia buscava prevenir a obesidade infantil e melhorar o cuidado de crianças com excesso de peso . Previa identificação precoce, acompanhamento na atenção primária, educação alimentar, promoção de atividade física e articulação com escolas e municípios. Houve adesão municipal e previsão de financiamento federal para executar as ações.
Canetas emagrecedoras no SUS
O fim da patente da semaglutida , princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, abriu caminho para a entrada de canetas emagrecedoras mais baratas no mercado brasileiro e ampliou as expectativas de que esses medicamentos possam ser oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
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Em 17 de setembro de 2026, durante uma visita à Eurofarma, que fabrica os medicamentos Poviztra e Extensior , o presidente Lula defendeu a distribuição gratuita desses medicamento pelo SUS , desde que houvesse indicação e acompanhamento médico.
Na mesma data, o Ministério da Saúde informou que desenvolvia um estudo com pacientes com obesidade atendidos pela rede pública e trabalhava na definição de protocolos clínicos para o uso desses medicamentos.
Uma semana depois, em 24 de setembro, a pasta protocolou na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) um pedido de avaliação para a incorporação de medicamentos da classe GLP-1 (lireglutida e semaglutida), utilizados no tratamento da obesidade.
As discussões avançam, mas o governo ainda não apresentou um cronograma definitivo para a eventual oferta dos medicamentos, nem detalhou os critérios de elegibilidade dos pacientes ou os custos da medida.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro questionou a viabilidade financeira da proposta . Em entrevista ao SantoFlow Podcast, o candidato afirmou que Lula não conseguiria cumprir a promessa de distribuir gratuitamente as canetas emagrecedoras pelo SUS.
Promoção da alimentação saudável
Incentivar o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados , como frutas, verduras, legumes, cereais e carnes; e reduzir a presença de ultraprocessados na dieta , a exemplo de embutidos, salgadinhos e biscoitos recheados, são estratégias importantes para prevenir e combater a obesidade.
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Nesse campo, o plano de governo de Lula apresenta compromissos mais específicos para a promoção da alimentação saudável, entre eles:
Apoiar estados e municípios no cumprimento das regras de alimentação escolar, incluindo compras da agricultura familiar e oferta de alimentos in natura ou minimamente processados;
Manter regras de publicidade destinadas a evitar estímulos ao consumo de produtos nocivos à saúde;
Utilizar o Imposto Seletivo para desestimular produtos prejudiciais à saúde;
Ampliar o apoio à agricultura familiar e à produção de alimentos da cesta básica.
O documento afirma que o governo Lula elevou para 80% a parcela da alimentação escolar composta por alimentos in natura ou minimamente processados e para 45% as compras da agricultura familiar.
Durante o governo atual, foram tomadas as seguintes medidas:
Nova cesta básica (2024) : redefiniu a composição da cesta básica no âmbito da política de segurança alimentar, priorizando alimentos in natura ou minimamente processados e excluindo ultraprocessados;
Alimentação saudável nas escolas (2023) : estabeleceu diretrizes nacionais para promover alimentação adequada em escolas públicas e privadas, abrangendo comercialização e publicidade de alimentos;
Reforma tributária (2025) : regulamentou a isenção de impostos para alguns alimentos da cesta básica e tentou implementar o Imposto Seletivo , para taxar e desestimular o consumo de bebidas açucaradas.
Já o programa de Flávio propõe reduzir impostos sobre o consumo , adotar medidas para baratear alimentos e rever aspectos da reforma tributária.
O plano não detalha uma política específica para ultraprocessados, mas, em novembro de 2024, o senador se manifestou contra um projeto que proibia a venda de ultraprocessados em cantinas escolares e criticou a perspectiva de aumento da tributação desses produtos na reforma tributária.
Para ele, elevar os preços não reduziria o consumo, mas poderia levar as pessoas a optarem por produtos mais baratos e de qualidade inferior. Flávio defendeu que a conscientização de pais e alunos seria mais relevante que a imposição de restrições pelo Estado.
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