Câncer de mama: por que cada caso é único

Câncer de mama: por que cada caso é único

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Entender o tipo e o subtipo da doença ajuda a paciente a compreender as opções de tratamento e a participar das decisões em conjunto com o médico ¹

Ana Beatriz de Arruda Melo Levorato tinha 27 anos quando começou a apresentar dores persistentes, inicialmente na região do ouvido e, posteriormente, nos ombros e no pescoço. Após passar por avaliações e realizar exames, recebeu o diagnóstico de câncer de mama.

Como o tumor apresentava crescimento acelerado, a equipe médica recomendou a realização de uma cirurgia. Durante os exames que antecederam o procedimento, Ana descobriu também que estava grávida. A partir daquele momento, precisou tomar decisões relacionadas ao tratamento do câncer e à gestação, com o acompanhamento de sua equipe de saúde.

A história de Ana reúne circunstâncias muito particulares, mas evidencia um desafio comum diante do câncer: compreender uma grande quantidade de informações em um momento de mudanças e incertezas.

Uma pesquisa Datafolha realizada entre 22 de setembro e 10 de outubro de 2025, com 241 mulheres que iniciaram ou concluíram o tratamento do câncer de mama, ajuda a dimensionar esse desafio. Para 99% das entrevistadas, receber informações claras e de qualidade sobre a doença é importante. Ainda assim, 36% disseram ter sentido falta de maior clareza nas explicações sobre exames e tratamento.¹

Nesse cenário, uma pergunta ganha importância logo após o diagnóstico: afinal, qual é o subtipo de câncer de mama?

Câncer de mama tem “nome e sobrenome”

Tumores que surgem na mama podem ter características biológicas diferentes – e conhecê-las é parte importante da definição do tratamento ²’³ .

Solange Sanches, oncologista clínica e coordenadora do serviço de oncologia mamária do A.C.Camargo Cancer Center, usa uma comparação simples para traduzir essa complexidade. “Câncer de mama é um termo bastante genérico. Precisamos saber o nome e o sobrenome. O nome é câncer de mama. O sobrenome são justamente os subtipos”, diz.

Entre eles estão os tumores luminais, associados à presença de receptores hormonais; os HER2 positivos, caracterizados pela expressão da proteína HER2; e os triplo negativos, que não apresentam receptores hormonais nem expressão de HER2. Identificar essas características ajuda a orientar o planejamento do tratamento² ³.

Características diferentes podem exigir condutas diferentes. “É a partir dessas informações que conseguimos interpretar o comportamento da doença e discutir quais tratamentos fazem sentido para aquela paciente”, explica Solange.

A investigação pode incluir ainda exames para avaliar a extensão da doença. O estadiamento considera a extensão do tumor, o comprometimento de linfonodos e a presença ou não de metástases a distância – informações que ajudam a orientar o tratamento e a estimar o prognóstico².

No caso de Ana Beatriz, o diagnóstico foi de câncer de mama triplo negativo e a investigação identificou também uma mutação no gene BRCA1. Esse gene participa do reparo de danos no DNA e, quando apresenta determinadas alterações, pode aumentar o risco de alguns tipos de câncer, especialmente os de mama e ovário⁴. Em alguns tipos de câncer, a investigação também pode incluir testes para identificar características específicas do tumor, como alterações genéticas ou biomarcadores. Essas informações ajudam a compreender melhor a doença e podem ser consideradas pela equipe médica na definição da estratégia de cuidado mais adequada para cada paciente ⁴ .

O histórico familiar também pode oferecer pistas importantes para avaliar a necessidade de investigação genética. Casos de câncer na família, o grau de parentesco e a idade em que ocorreram estão entre os aspectos considerados³.

“Precisamos pensar na possibilidade de a paciente ter nascido com uma predisposição ao desenvolvimento do câncer. Isso pode mudar o tratamento”, afirma Solange.

Informação também é parte do cuidado

Receber resultados de exames, ouvir termos desconhecidos e conversar sobre o tratamento enquanto ainda se assimila o diagnóstico exige tempo. Na pesquisa Datafolha, 33% das entrevistadas disseram ter sentido falta de mais atenção às suas dúvidas e preocupações¹. “São muitas informações em um período muito curto e num momento em que a paciente também está abalada emocionalmente. Esse volume pode ser muito opressor e sobrecarregá-la”, afirma a oncologista.

Para Ana Beatriz, a médica que a acompanha tornou-se sua principal referência. “A paciente precisa entender a doença e a situação que está vivendo para conseguir expressar seus desejos e suas vontades e chegar a uma decisão sobre o tratamento junto com a equipe”, afirma Solange.

Com Ana Beatriz, esse processo ganhou novos contornos. Seu filho, Martin, nasceu com 34 semanas, e ela precisou conciliar novas etapas do tratamento com a maternidade e uma rotina muito diferente daquela que tinha antes da doença.

Hoje, Ana Beatriz entende melhor seu diagnóstico, conhece os caminhos possíveis para o tratamento e participa das decisões sobre a própria saúde – um passo importante para atravessar a jornada com mais informação.

Instituto Datafolha. Câncer de Mama: Pacientes. Pesquisa de mercado. São Paulo: Instituto Datafolha, out. 2025.

Brasil. Ministério da Saúde. INCA. Câncer de mama – versão para profissionais de saúde. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/mama/versao-para-profissionais-de-saude . Acesso em: 29 de set. de 2026.

Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado – Câncer de Mama – Planejamento terapêutico. Disponível em: https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/cancer-de-mama/atencao-especializada/planejamento-terapeutico/#pills-avaliacao-clinica . Acesso em: 29 de set. de 2026.

Instituto Oncoguia. Sobre a mutação BRCA. Disponível em: https://www.oncoguia.org.br/conteudo/sobre-a-mutacao-brca/17819/1422/ . Acesso em: 29 de set. de 2026. Material destinado a veículos de imprensa especializada na área da saúde. BR-55000. Aprovado em setembro de 2026.

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