Países discutem políticas para menopausa na ONU. E o Brasil?

Países discutem políticas para menopausa na ONU. E o Brasil?

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Em evento paralelo à Assembleia Geral das Nações Unidas, autoridades debateram políticas de cuidado no climatério globalmente

Introdução Um evento global em Nova York reuniu ministros da saúde para discutir políticas de cuidado na menopausa, destacando a necessidade de sistemas de saúde preparados para as décadas pós-reprodutivas. Iniciativas no Reino Unido e EUA mostram progresso, enquanto no Brasil há esforços em elaboração, mas lacunas persistem no acesso a tratamentos e na formação profissional.

Principais Tópicos Sistemas de saúde precisam de preparo para o cuidado da mulher após a fase reprodutiva. O reconhecimento dos mais de 40 sintomas da menopausa é crucial para buscar ajuda. Países como Reino Unido e EUA implementam políticas para ampliar acesso a tratamentos. A implementação de políticas eficazes requer dados, orçamento e formação profissional. No Brasil, há esforços para desenvolver protocolos e capacitar equipes, mas com desafios de acesso.

Sistemas de saúde precisam de preparo para o cuidado da mulher após a fase reprodutiva.

O reconhecimento dos mais de 40 sintomas da menopausa é crucial para buscar ajuda.

Países como Reino Unido e EUA implementam políticas para ampliar acesso a tratamentos.

A implementação de políticas eficazes requer dados, orçamento e formação profissional.

No Brasil, há esforços para desenvolver protocolos e capacitar equipes, mas com desafios de acesso.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Carolyn Harris , deputada trabalhista no Parlamento britânico, mostrou à plateia um marcador de páginas com mais de 40 sintomas da menopausa .

Estava no palco com os ministros da Saúde da Indonésia e da Jamaica, sob mediação de Alice Park, da revista Time . Era 23 de setembro, em Nova York, na semana da Assembleia Geral das Nações Unidas.

O evento sobre políticas e cuidado na menopausa teve cinco ministérios da Saúde como anfitriões: Brasil, Indonésia, Jamaica, México e Espanha.

Harris contou que mulheres liam a lista, reconheciam o que sentiam e procuravam ajuda. Dar nome ao que acontece no corpo pode ser o primeiro passo para exigir cuidado. Muitas chegam à transição menopausal sem saber reconhecê-la.

Fiz a abertura do encontro como uma das colíderes do Power in Menopause , movimento que defende políticas públicas para a menopausa.

A pergunta era: o que acontece quando um sistema de saúde se organiza em torno da capacidade de uma mulher gerar filhos e não se prepara para as décadas seguintes ?

É por isso que, em tantos lugares, ainda parece que começamos do zero .

Harris conhece o problema por experiência própria. Em outubro de 2021, contou na Câmara dos Comuns que tomou antidepressivos por 11 anos antes de reconhecer a menopausa.

O relato expõe a dificuldade de encontrar uma escuta que considere essa fase . Até para uma mulher com voz no Parlamento.

Sua mobilização ajudou a reduzir o que as mulheres pagam pela terapia hormonal na Inglaterra. Desde 2023, é possível comprar um certificado que hoje custa 19,80 libras esterlinas (cerca de 140 reais) e cobre, por 12 meses, os medicamentos hormonais incluídos no programa, com prescrição do NHS, o serviço público de saúde.

Esse é o valor pago pelo ano inteiro, sem novas cobranças , inclusive para quem precisa de mais de um medicamento da lista. A conquista veio por uma regulamentação do NHS, após compromissos do governo com Harris.

A deputada, que preside o Global Menopause Caucus , rede internacional de parlamentares, defendeu a liberdade de escolha. Uma mulher pode não querer terapia hormonal , mas precisa conhecer as opções e ter orientação para decidir.

Pauline Maki, pesquisadora da Universidade de Illinois, em Chicago, nos EUA, levou a pauta à vice-governadora de Illinois, Juliana Stratton, e encontrou disposição para agir . As experiências das mulheres ajudaram a aproximar partidos.

Illinois aprovou legislação para ampliar a cobertura de tratamentos hormonais e não hormonais pelos seguros de saúde regulados pelo estado. Maki defendeu apresentar evidências a quem decide e medir resultados.

Quanto custa deixar uma mulher sem cuidado? Que despesas um atendimento adequado pode evitar? O argumento econômico abre portas que o direito à saúde nem sempre consegue abrir.

Já a médica nigeriana Eleanor Nwadinobi cobrou orçamento. Sem recursos reservados, a menopausa pode desaparecer dentro da categoria “ saúde da mulher ”. E cobrou formação profissional e mais dados sobre o Sul Global.

Na Indonésia, o ministro da Saúde, Budi Gunadi Sadikin, propôs incorporar esse cuidado especializado à rede de cerca de 10 mil unidades de atenção primária .

Na Jamaica, o ministro da Saúde e Bem-Estar, Christopher Tufton, disse que uma política nacional estava sob análise do gabinete . Sadikin quis conhecer o modelo .

Essas trocas importam. Mas confesso estar cansada de ouvir intenções . Para quem passa noites sem dormir e dias sem conseguir funcionar , a análise constante de uma política só aumenta a irritação.

Quando, onde e como essa mulher será atendida?

+Leia também: Climatério: o que é, quais os sintomas e como lidar

Patricia Clark, secretária do Conselho de Salubridade Geral do México, destacou a necessidade de produzir dados sobre sintomas e impacto econômico , inclusive fora do emprego formal.

Na Espanha, o secretário de Estado da Saúde, Javier Padilla, relatou financiamento de pesquisas e uma campanha pública.

Nos EUA, Katie Schubert, da Sociedade para a Pesquisa em Saúde da Mulher, apontou a formação profissional como gargalo.

No Brasil, essa distância apareceu na entrevista com Adriano Massuda, secretário-executivo do Ministério da Saúde .

Ele afirmou que a pasta elabora um protocolo para o cuidado à menopausa , capacita equipes da atenção primária e trabalha com a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS , a Conitec, na avaliação de novas opções terapêuticas.

São iniciativas necessárias, mas, para a mulher que procura atendimento e não encontra tratamento, o anúncio ainda não se transformou em benefício concreto .

Questionei por que nem o estrogênio vaginal previsto na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, a Rename, chega às mulheres que precisam.

Massuda apontou possíveis dificuldades locais de compra e distribuição, sem prazo para resolvê-las. Não informou quando o protocolo estará pronto nem quando novos tratamentos poderão estar disponíveis no SUS.

Na entrevista, não ficou esclarecido qual tratamento está formalmente em avaliação nem quando esse processo começou.

No encerramento do encontro, Jennifer Barsky, fundadora da Menoglobal e uma mulher determinada a mudar esse cuidado no mundo, cobrou liderança internacional e compromissos .

Nosso grupo pretende apresentar um documento à Organização Mundial da Saúde (OMS) em maio de 2027.

Precisamos de metas responsáveis e resultados verificáveis. O cuidado integral inclui saúde óssea, risco cardiovascular , sono , bem-estar mental e sintomas geniturinários .

É preciso medir custos e benefícios , sem prometer uma economia que os dados não sustentem.

O marcador de Harris ajudava mulheres a reconhecer o que sentiam . Nossa proposta à OMS busca ajudar os governos a agir.

*Maria Cândida é jornalista e apresentadora, tem pós-graduação em gerontologia e é idealizadora da série documental Menopausa sem Fronteiras.

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