Pacientes com câncer criam mais de mil obras de arte com projeto em hospital de SP

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Pinturas do "Transformar com Arte" estão em exposição no A.C.Camargo e podem ser compradas para angariar fundos à iniciativa

Introdução O projeto Transformar Com Arte, criado pelo artista Eduardo Valarelli após uma experiência hospitalar nos anos 90, leva a expressão artística a pacientes. Com três décadas de atuação, a iniciativa impacta centenas de pacientes com câncer no A.C.Camargo Cancer Center, promovendo bem-estar e auxiliando na saúde mental e emocional. Saiba mais sobre essa transformação.

Principais Tópicos O projeto Transformar Com Arte nasceu da experiência traumática do artista plástico Eduardo Valarelli em um hospital nos anos 90. A iniciativa atua há três décadas, levando materiais de arte a corredores e leitos de hospitais em São Paulo. No A.C.Camargo Cancer Center, foram realizadas cerca de 1.800 aulas, impactando mais de 500 pacientes com câncer e resultando em 1.157 obras. A exposição “Força e Fluidez” exibe 45 pinturas e esculturas criadas pelos pacientes do projeto. A arte contribui para a saúde mental e emocional de pacientes oncológicos, aliviando depressão e ansiedade, segundo estudos.

O projeto Transformar Com Arte nasceu da experiência traumática do artista plástico Eduardo Valarelli em um hospital nos anos 90.

A iniciativa atua há três décadas, levando materiais de arte a corredores e leitos de hospitais em São Paulo.

No A.C.Camargo Cancer Center, foram realizadas cerca de 1.800 aulas, impactando mais de 500 pacientes com câncer e resultando em 1.157 obras.

A exposição “Força e Fluidez” exibe 45 pinturas e esculturas criadas pelos pacientes do projeto.

A arte contribui para a saúde mental e emocional de pacientes oncológicos, aliviando depressão e ansiedade, segundo estudos.

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No início dos anos 1990, o artista plástico Eduardo Valarelli passou por uma traumática internação hospitalar. “Era uma época em que não se falava em humanização nos hospitais . As pessoas passavam horas gritando de dor, sujas por não terem quem as higienizassem. Eu mesmo passei por isso e mudei completamente a minha forma de encarar a saúde — e a própria arte”, relembra.

Do trauma, surgiu um projeto. “Depois desse episódio, eu não queria mais ficar restrito ao ateliê. Queria que aquelas pessoas que estavam enfrentando momentos de fragilidade como eu enfrentei tivessem outras ferramentas que as ajudassem a lidar com suas dores mais profundas “, reflete o artista.

Assim surgiu o Transformar Com Arte , projeto que leva tintas, pincéis, telas e outros materiais para os corredores e leitos de hospitais na cidade de São Paulo.

Em ação há três décadas, a iniciativa já atingiu milhares de pacientes em instituições como o Hospital Emílio Ribas, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), o Hospital Nossa Senhora de Lourdes (atual Hospital São Luiz) e o Hospital Municipal Infantil  Menino Jesus .

Força e Fluidez

Atualmente, o A.C.Camargo Cancer Center é a mais recente morada do projeto. Em três anos de atividades, foram realizadas cerca de 1.800 aulas , que impactaram mais de 500 adultos com câncer e os incentivaram a produzir 1.157 obras de arte.

Dessa produção, 45 pinturas e esculturas foram selecionadas para compor a exposição “Força e Fluidez” , em exibição até agosto na Unidade Antônio Prudente, no bairro da Liberdade.

Por questões de segurança, a entrada é restrita a colaboradores, médicos, pacientes e acompanhantes, mas qualquer pessoa pode contribuir com doações para a continuidade do projeto ou mesmo adquirir uma das obras expostas, presentes no site da instituição.

Para a psicóloga aposentada Talita Wolkoff, de 81 anos, a iniciativa foi essencial para enfrentar os momentos mais difíceis do tratamento para o câncer colorretal . “Nós descobrimos possibilidades que nunca havíamos achado que tínhamos”, diz Talita, que antes acreditava que não tinha qualquer aptidão para a arte. “Na minha idade, você imagina o que é isso?”

De sua autoria, foram expostas duas pinturas na exposição: “Selos visitantes no espaço do papel” e “O passeio da linha gravada”, ambas paisagens de praias que trouxeram a calmaria necessária para lidar com o diagnóstico. Hoje, Talita está livre da doença e segue pintando em sua casa .

“Tudo isso é vital para melhorar a saúde mental e emocional [dos pacientes oncológicos] , uma vez que, como mostra um estudo publicado na revista científica Frontiers , cerca de 25% deles enfrentam depressão , enquanto até 45% apresentam níveis elevados de ansiedade ”, ressalta Victor Piana, médico patologista e CEO do A.C.Camargo Cancer Center.

+ Leia também: O que é arteterapia e para que serve?

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