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Depois de Wegovy e Mounjaro, medicamentos em pesquisa prometem outra revolução no tratamento da obesidade — muito além da perda de peso
Introdução As “canetas emagrecedoras” como Ozempic, Wegovy e Mounjaro revolucionaram o tratamento da obesidade, mas o futuro promete mais. Novas medicações em desenvolvimento oferecem maior potência, praticidade e benefícios para a saúde que vão além da perda de peso. Explore os próximos avanços farmacológicos que redefinirão a abordagem da obesidade.
Principais Tópicos Retatrutida: um triplo agonista com resultados superiores na perda de peso (acima de 30%) e benefícios adicionais para a saúde. Benefícios para além do peso: novas medicações visam tratar comorbidades associadas à obesidade, não apenas o número na balança. Praticidade: surgimento de opções com aplicações mensais (Berobenatida) e comprimidos (Wegovy oral, Orforglipron). Survodutida: foco na redução da gordura visceral e preservação da massa muscular, um diferencial importante. Diversidade de opções: a indústria busca um arsenal terapêutico amplo para personalizar o tratamento da obesidade.
Retatrutida: um triplo agonista com resultados superiores na perda de peso (acima de 30%) e benefícios adicionais para a saúde.
Benefícios para além do peso: novas medicações visam tratar comorbidades associadas à obesidade, não apenas o número na balança.
Praticidade: surgimento de opções com aplicações mensais (Berobenatida) e comprimidos (Wegovy oral, Orforglipron).
Survodutida: foco na redução da gordura visceral e preservação da massa muscular, um diferencial importante.
Diversidade de opções: a indústria busca um arsenal terapêutico amplo para personalizar o tratamento da obesidade.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Era uma vez um remédio de aplicação semanal para o controle do diabetes que demonstrou um incrível poder de emagrecimento. Seus detentores não hesitaram em testar a ideia: que tal estudá-lo para a perda de peso ?
Ajustaram uma dose aqui, mudaram uma bula acolá, e, com outro nome na praça, nasceu um irmão, desta vez destinado a uma condição ainda mais prevalente e de crescimento galopante, a obesidade .
Não demorou muito até que outro personagem entrasse no roteiro. Um concorrente lançou um produto com mecanismo de ação duplo e tornou-se a farmacêutica com o maior valor global de mercado.
Trata-se da medicação mais lucrativa da atualidade: em 2025, rendeu 36,5 bilhões de dólares aos seus donos.
Apetite para compras e prescrições existe de sobra: mais de 1 bilhão de pessoas estão acima do peso no mundo hoje e, até 2035, projeta-se que uma em cada quatro irá conviver com a obesidade. A questão, como se sabe, não se resume a um número na balança; desdobra-se em múltiplos problemas de saúde.
E foi assim, em meio a uma trama complexa, que as “ canetas emagrecedoras ”, como ficaram conhecidas, começaram a reescrever as páginas de um dos maiores desafios da humanidade. Ozempic , Wegovy e o rentável Mounjaro protagonizaram uma revolução científica, econômica e comportamental.
Mas a história não termina aí. Já enxergamos as cenas dos próximos capítulos.
+Leia Também: Ozempic é só o começo: os remédios que prometem mudar o tratamento da obesidade
Esse vislumbre foi dado durante o último encontro da Associação Americana de Diabetes, em Nova Orleans, nos Estados Unidos — sim, diabetes, já que as canetas também se prestam a domar a glicose no sangue e suas complicações.
Mas sem dúvida os efeitos na perda de peso roubaram os holofotes. Há uma nova geração de medicações para a obesidade no horizonte: algumas mais potentes , outras mais práticas de usar , e há até aquelas com “ efeitos colaterais” pra lá de desejáveis .
O futuro já começou e, se os estudos confirmarem a segurança e a eficácia do que vem por aí, será empolgante para médicos e pacientes. Nesta reportagem você vai entender:
Retatrutida: o que realmente faz e em que pé estamos de chegar ao mercado
Novos medicamentos levam a benefícios para além da perda de peso
Berobenatida: menos aplicações, mais praticidade
UBT251: outro triplo agonista
Cagrisema e zenagantida: GLP-1 + amilina
Survodutida: menos gordura visceral e mais músculos
A era dos comprimidos: wegovy oral e orforglipron
Retatrutida: o que esperar
Imagine um remédio que emagrece tanto quanto uma cirurgia bariátrica. Essa é a força da retatrutida , a primeira caneta semanal que mimetiza três hormônios envolvidos no balanço energético do organismo.
Relembremos: a semaglutida de Ozempic e Wegovy, pioneira nessa história, imita o hoje famoso GLP-1, aumentando a sensação de saciedade e enxugando a gordura corporal.
A tirzepatida do Mounjaro, por sua vez, emula duas substâncias para turbinar esse efeito. A depender da dose, esses medicamentos chegam a eliminar ao redor de 20% do peso.
Pois a tal da retatrutida , criada pela Eli Lilly do Mounjaro e em fase final de pesquisa, chega a superar a perda de 30% do peso — um quarto dos participantes dos ensaios clínicos logrou podar 35% após pouco mais de 100 semanas de uso. Um resultado inédito nos anais da farmacologia.
“Ela bateu esse recorde e ainda ofereceu outros benefícios: pacientes com pré-diabetes voltaram a ficar com a glicemia normal ”, ressalta o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da USP de Ribeirão Preto.
Aí que está: tratar a obesidade é tratar outras ameaças escondidas atrás daquele número da balança ou do cálculo do IMC.
Mas cabe um entreato antes de seguir com o capítulo da retatrutida. As canetas viraram uma febre, sim. E mesmo pessoas para as quais elas não foram projetadas quiseram tirar proveito das picadas. Acontece — embora muitos influenciadores digitais e charlatões de jaleco tenham interferido nos rumos dessa história.
O ponto é: estamos diante de medicamentos concebidos para tratar uma condição crônica, com mais de uma causa e grandes chances de retornar quando o acompanhamento médico é dispensado.
“ A obesidade está ligada a mais de 200 comorbidades , e, por muito tempo, tivemos de tratar essas situações uma a uma, de forma isolada”, diz Luiz André Magno, diretor médico da Eli Lilly no Brasil. “Mas, com os resultados dos novos estudos, já imaginamos ser possível tratar esse quadro de uma maneira mais abrangente.”
É aí que voltamos à potente retatrutida. Prevista para 2027, se não houver mudanças no script, ela não mira apenas o excesso de gordura. “ Junto com a perda de peso expressiva, observamos melhoras nas dores de joelho provocadas pela osteoartrite, na apneia do sono e no controle glicêmico ”, conta Magno.
É evidente que perder 30 kg com uma caneta utilizada uma vez por semana ao longo de quase dois anos soa animador, mas é preciso ponderar expectativas e necessidades.
+Leia Também: Por que as canetas emagrecedoras entraram no radar da reumatologia?
Benefícios para além da perda de peso
Para o endocrinologista Bruno Geloneze, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), não podemos cair no canto do “pesocentrismo”.
“O mais importante no tratamento da obesidade não é alcançar um peso ideal, muito menos atingir o IMC de magreza. É controlar ou reverter as doenças associadas ao peso ”, afirma.
Além disso, convém ter em mente que nem toda história individual deverá ser reescrita com a mesma caneta .
“A maioria dos pacientes não precisará usar um medicamento com uma potência tão grande”, diz Geloneze, que vislumbra oportunidades com a utilização de doses mais baixas para atender a essas demandas.
“O que os novos remédios oferecem, no fundo, é a ampliação de um arsenal terapêutico que permitirá personalizar ainda mais nossa abordagem”, analisa Couri.
De fato, opções não irão faltar, de acordo com o perfil e as preferências dos usuários no que diz respeito à forma e à rotina de administração dos fármacos.
+Leia Também: Obesidade: nova forma de diagnóstico vai além do IMC
Berobenatida: menos aplicações, mais praticidade
Quer facilidade? Já pensou em um “Ozempic mensal”? É a proposta da berobenatida , da Pfizer.
Em um estudo de fase 2, aquela que antecede a última etapa de investigação até a autorização comercial, essa integrante da família dos análogos de GLP-1 (como a semaglutida) começou a ser aplicada semanalmente, mas seguiu em um regime de manutenção com uma picada por mês .
Os voluntários perderam 16% do peso corporal após pouco mais de sete meses, com o bônus de uma melhora no exame de glicose.
“É uma medicação que poderá facilitar a adesão do paciente ao tratamento ”, avalia o endocrinologista Alexander Benchimol, pesquisador da PUC do Rio de Janeiro.
A etapa a seguir prevê testes em milhares de pacientes a fim de confirmar a eficácia e dosagens mais adequadas.
UBT251: outro triplo agonista
Na mesma fase de estudo da berobenatida se encontra uma aposta da fabricante do Ozempic, a Novo Nordisk. Em parceria com uma empresa chinesa, ela também investiga um triplo agonista , caneta semanal que imita três hormônios à la retatrutida.
Sim, concorrência à vista. O medicamento, ainda conhecido pelo código UBT251 , obteve reduções de quase 20% do peso corporal em cerca de seis meses , o que impressionou os experts pela “rapidez”.
“Como o ensaio terminou antes de se chegar a um platô, é possível que o emagrecimento seja ainda maior , o que saberemos nos próximos anos”, esclarece Couri. “O interessante é que já vimos melhoras na glicemia, na pressão arterial e nos níveis de gordura no sangue .”
Olhar além do peso, lembra? E muito além de uma única medicação. “Mais do que focar numa grande aposta, a estratégia da companhia é avançar com um portfólio amplo e complementar, capaz de atender a diferentes necessidades, sempre com base nas evidências científicas e em rigorosos processos de desenvolvimento”, diz Fernanda Canedo, gerente médica da Novo Nordisk no Brasil.
Cagrisema e zenagantida: GLP-1 + amilina
Não se trata de força de expressão. No forno do laboratório dinamarquês, novas combinações começam a desenhar o futuro do tratamento do diabetes e da obesidade.
Uma delas é a CagriSema , que reúne duas substâncias: a semaglutida , já conhecida por sua ação sobre o GLP-1, e a cagrilintida , que imita a ação da amilina , um hormônio produzido pelo pâncreas e envolvido no controle do apetite e do metabolismo.
Essa combinação é uma das que estão mais próximas de se tornar realidade. Mais adiante, também poderá chegar ao mercado a zenagantida , uma molécula de nova geração capaz de ativar, ao mesmo tempo, as vias do GLP-1 e da amilina.
São exemplos de uma tendência da medicina: aliar princípios ativos ou mecanismos de ação para impor rédeas mais curtas sobre o diabetes e a obesidade.
Survodutida: menos gordura visceral e mais músculos
Todo tratamento tem seus efeitos colaterais. E, quando se fala em perda de peso, o processo, por si só, cobra alguns pedágios do organismo. Pedágio em forma de músculos .
“ Emagrecer e aumentar a massa magra são estados praticamente opostos , não vão acontecer concomitantemente”, explica Geloneze.
Daí que, com o uso das canetas, dá-se adeus à gordura corporal, mas também se esvai parte da musculatura. Como resolver essa equação?
Ajustar a alimentação e incrementar os exercícios de força são parte da receita, mas a indústria está tentando dar uma mãozinha. Que tal criar medicamentos que não geram tanta perda muscular?
Na verdade, o trunfo de novos remédios pode estar não só na “quantidade” de peso eliminada, mas na “qualidade” do que é descartado. É com essa vantagem que desponta a survodutida , caneta semanal da Boehringer Ingelheim que mimetiza a ação de dois hormônios e chegou à derradeira fase 3 de pesquisa.
Ela ganhou a ribalta por frear o apetite e propiciar o emagrecimento, mas não tanto à custa de músculos.
“Embora a perda de peso observada seja semelhante à de medicamentos já disponíveis, o foco na redução de gordura visceral e na preservação muscular representa um diferencial clínico importante”, destrincha Benchimol.
Pois é, a survodutida tem a peculiaridade de combater o pior tipo de gordura que existe , aquela que se deposita no abdômen, entre e dentro dos órgãos.
“Ela combina os efeitos do GLP-1 com o glucagon, hormônio envolvido na regulação do metabolismo energético, e tem ação direta no fígado , induzindo a perda de gordura visceral e hepática”, detalha Gabriel Fagundes, diretor médico da Boehringer no país.
Os dados ajudam a dimensionar os efeitos: foram 16% de perda de peso após 76 semanas de uso, redução de 63% no percentual de gordura no fígado, e só 10% do peso total eliminado se deu na forma de músculo , segundo exames de imagem.
“Esse conjunto de evidências reforça uma mudança de paradigma no tratamento da obesidade, uma vez que preservar a massa magra em paralelo à redução do componente mais prejudicial da gordura corporal é um objetivo a ser perseguido”, diz Fagundes.
+Leia Também: A gordura se tornou o maior inimigo do fígado? Veja o que diz a ciência
A era dos comprimidos: Wegovy oral e Orforglipron
E nem só de canetas viverão as prescrições médicas — aliás, vale registrar, semaglutida, tirzepatida e afins exigem receita controlada.
Os comprimidos também pedem passagem. Dois deles podem chegar ao Brasil até o primeiro semestre de 2027. O Wegovy oral , fruto de uma tecnologia que transformou um remédio biológico em pílulas, já foi aprovado lá fora e aguarda parecer da Anvisa. “Ele tem eficácia comparável à versão injetável”, nota Canedo.
O outro é o orforglipron , da Lilly, que, diferentemente do produto da Novo Nordisk, não requer jejum para uso.
“Por ser um medicamento que não depende de cadeia fria para distribuição, como as canetas, esperamos que ele possa ampliar o acesso ao tratamento da obesidade”, prevê Magno.
E, com a queda da patente da semaglutida, já começamos a ver a indústria nacional mobilizada em criar e lançar versões “similares” do princípio ativo que virou um divisor de águas no controle do diabetes e do excesso de peso — com a perspectiva de uma queda nos preços dessa classe de produtos, ainda não fornecida pelo SUS.
Eis um enredo em contínua evolução.
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