O que acontece com a mente quando a caneta emagrecedora “apaga” a fome?

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Entenda a agonorexia, a ausência prolongada de fome causada por agonistas GLP-1, e como isso afeta a saúde mental

Introdução O uso de agonistas GLP-1 para obesidade e diabetes tipo 2 pode induzir uma ausência prolongada de fome, denominada agonorexia. Embora a perda de peso seja esperada, a supressão excessiva do apetite merece atenção, pois pode indicar uma desconexão com os sinais corporais, afetar a nutrição e o bem-estar, exigindo um acompanhamento mais abrangente que o peso.

Principais Tópicos Agonorexia é a supressão excessiva da fome causada por agonistas GLP-1. A ausência prolongada de apetite pode ser interpretada equivocadamente como sucesso no tratamento. Impactos incluem perda de massa muscular, fraqueza, cansaço e alteração na relação com a comida. É necessário monitorar mais que o peso, incluindo nutrição, composição corporal e estado emocional. O acompanhamento pode envolver ajuste da dose, orientação nutricional e apoio psicológico.

Agonorexia é a supressão excessiva da fome causada por agonistas GLP-1.

A ausência prolongada de apetite pode ser interpretada equivocadamente como sucesso no tratamento.

Impactos incluem perda de massa muscular, fraqueza, cansaço e alteração na relação com a comida.

É necessário monitorar mais que o peso, incluindo nutrição, composição corporal e estado emocional.

O acompanhamento pode envolver ajuste da dose, orientação nutricional e apoio psicológico.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

A fome é um dos idiomas mais antigos do corpo. Ela sinaliza a necessidade de energia, organiza a busca por alimento e participa de uma relação que também envolve prazer, memória , rotina e convivência. Por isso, seu desaparecimento prolongado durante um tratamento merece ser observado com mais cuidado do que euforia.

Os medicamentos agonistas do GLP-1 ampliaram as possibilidades de cuidado da obesidade e do diabetes tipo 2 . A redução do apetite faz parte de sua ação e pode contribuir para o controle do peso e da glicemia .

Na prática clínica, porém, tenho acompanhado uma questão que não cabe apenas na balança: pessoas que atravessam longos períodos sem qualquer sinal de fome e passam a interpretar esse silêncio como prova de que o tratamento está funcionando.

Esse fenômeno é conhecido como agonorexia , palavra que une a ação dos agonistas do GLP-1 à supressão excessiva do apetite .

O termo funciona como uma lente clínica, não como um novo transtorno alimentar ou diagnóstico médico. Ele ajuda a perceber quando a saciedade terapêutica dá lugar a uma desconexão persistente dos sinais do corpo.

Quando não sentir fome vira uma conquista

Em uma cultura que celebra o emagrecimento rápido, deixar de sentir fome pode parecer uma vitória .

A experiência, no entanto, também pode produzir medo de que o apetite retorne, ansiedade diante de pequenas oscilações do peso e uma vigilância cada vez maior sobre o que se come. A fome, que é um sinal fisiológico, passa a ser lida como ameaça ou falha pessoal.

Há ainda um efeito mais silencioso: a perda de referência interna. Quando o corpo deixa de pedir alimento, comer pode se transformar em tarefa, cálculo ou obrigação. A pessoa precisa recorrer apenas ao relógio e às orientações externas como guias para decidir quando e quanto ingerir.

Essa mudança pode enfraquecer a percepção dos próprios sinais e alterar a relação com a comida, inclusive em seus aspectos afetivos e sociais.

Por outro lado, a ausência persistente do apetite pode levar a uma ingestão insuficiente de proteínas e outros nutrientes . Nesse cenário, a perda de peso pode vir acompanhada de redução de massa muscular, força e disposição, com possíveis repercussões metabólicas.

O número mostrado pela balança não revela, sozinho, o que o corpo perdeu. Cansaço, fraqueza, flacidez, halitose, perda de cabelo, dificuldade para cumprir as necessidades nutricionais e desinteresse contínuo pela alimentação não deveriam ser tratados como preço inevitável do emagrecimento.

São informações clínicas. Também é preciso ter atenção às mudanças de humor e o receio excessivo de voltar a sentir fome , sobretudo quando começam a organizar a rotina e as escolhas da pessoa.

+Leia também: Agonorexia: quando as canetas antiobesidade tiram a fome até demais

Preservar a escuta durante o tratamento

O acompanhamento precisa ir além dos quilos eliminados. Alimentação , composição corporal, força, funcionalidade, estado emocional e resposta individual ao medicamento fazem parte da mesma avaliação.

Dependendo do caso, entram nesse cuidado o ajuste da dose pelo médico responsável, a orientação nutricional e o apoio psicológico.

Ao propor um olhar para a agonorexia , procuro abrir espaço para uma pergunta que costuma ficar escondida pelo resultado rápido: como essa pessoa está emagrecendo?

Os agonistas do GLP-1 são recursos importantes e não devem ser reduzidos a uma narrativa de medo. O cuidado está em preservar, durante o tratamento, a capacidade de nutrir o organismo e continuar em diálogo com ele.

Saciedade pode ser terapêutica; silêncio absoluto pede escuta.

* Maria Klien é psicóloga e criadora do projeto Psicologia da Moda, iniciativa que articula comportamento, identidade e expressão a partir da relação entre vestuário e subjetividade.

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