
Logotipo Veja Saúde Marca textual estilizada da Veja Saúde ×
Já sou assinante Sair
Olá, Usuário
Entenda a agonorexia, a ausência prolongada de fome causada por agonistas GLP-1, e como isso afeta a saúde mental
Introdução O uso de agonistas GLP-1 para obesidade e diabetes tipo 2 pode induzir uma ausência prolongada de fome, denominada agonorexia. Embora a perda de peso seja esperada, a supressão excessiva do apetite merece atenção, pois pode indicar uma desconexão com os sinais corporais, afetar a nutrição e o bem-estar, exigindo um acompanhamento mais abrangente que o peso.
Principais Tópicos Agonorexia é a supressão excessiva da fome causada por agonistas GLP-1. A ausência prolongada de apetite pode ser interpretada equivocadamente como sucesso no tratamento. Impactos incluem perda de massa muscular, fraqueza, cansaço e alteração na relação com a comida. É necessário monitorar mais que o peso, incluindo nutrição, composição corporal e estado emocional. O acompanhamento pode envolver ajuste da dose, orientação nutricional e apoio psicológico.
Agonorexia é a supressão excessiva da fome causada por agonistas GLP-1.
A ausência prolongada de apetite pode ser interpretada equivocadamente como sucesso no tratamento.
Impactos incluem perda de massa muscular, fraqueza, cansaço e alteração na relação com a comida.
É necessário monitorar mais que o peso, incluindo nutrição, composição corporal e estado emocional.
O acompanhamento pode envolver ajuste da dose, orientação nutricional e apoio psicológico.
Este resumo foi útil? 👍 👎 Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Este resumo foi útil?
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A fome é um dos idiomas mais antigos do corpo. Ela sinaliza a necessidade de energia, organiza a busca por alimento e participa de uma relação que também envolve prazer, memória , rotina e convivência. Por isso, seu desaparecimento prolongado durante um tratamento merece ser observado com mais cuidado do que euforia.
Os medicamentos agonistas do GLP-1 ampliaram as possibilidades de cuidado da obesidade e do diabetes tipo 2 . A redução do apetite faz parte de sua ação e pode contribuir para o controle do peso e da glicemia .
Na prática clínica, porém, tenho acompanhado uma questão que não cabe apenas na balança: pessoas que atravessam longos períodos sem qualquer sinal de fome e passam a interpretar esse silêncio como prova de que o tratamento está funcionando.
Esse fenômeno é conhecido como agonorexia , palavra que une a ação dos agonistas do GLP-1 à supressão excessiva do apetite .
O termo funciona como uma lente clínica, não como um novo transtorno alimentar ou diagnóstico médico. Ele ajuda a perceber quando a saciedade terapêutica dá lugar a uma desconexão persistente dos sinais do corpo.
Quando não sentir fome vira uma conquista
Em uma cultura que celebra o emagrecimento rápido, deixar de sentir fome pode parecer uma vitória .
A experiência, no entanto, também pode produzir medo de que o apetite retorne, ansiedade diante de pequenas oscilações do peso e uma vigilância cada vez maior sobre o que se come. A fome, que é um sinal fisiológico, passa a ser lida como ameaça ou falha pessoal.
Há ainda um efeito mais silencioso: a perda de referência interna. Quando o corpo deixa de pedir alimento, comer pode se transformar em tarefa, cálculo ou obrigação. A pessoa precisa recorrer apenas ao relógio e às orientações externas como guias para decidir quando e quanto ingerir.
Essa mudança pode enfraquecer a percepção dos próprios sinais e alterar a relação com a comida, inclusive em seus aspectos afetivos e sociais.
Por outro lado, a ausência persistente do apetite pode levar a uma ingestão insuficiente de proteínas e outros nutrientes . Nesse cenário, a perda de peso pode vir acompanhada de redução de massa muscular, força e disposição, com possíveis repercussões metabólicas.
O número mostrado pela balança não revela, sozinho, o que o corpo perdeu. Cansaço, fraqueza, flacidez, halitose, perda de cabelo, dificuldade para cumprir as necessidades nutricionais e desinteresse contínuo pela alimentação não deveriam ser tratados como preço inevitável do emagrecimento.
São informações clínicas. Também é preciso ter atenção às mudanças de humor e o receio excessivo de voltar a sentir fome , sobretudo quando começam a organizar a rotina e as escolhas da pessoa.
+Leia também: Agonorexia: quando as canetas antiobesidade tiram a fome até demais
Preservar a escuta durante o tratamento
O acompanhamento precisa ir além dos quilos eliminados. Alimentação , composição corporal, força, funcionalidade, estado emocional e resposta individual ao medicamento fazem parte da mesma avaliação.
Dependendo do caso, entram nesse cuidado o ajuste da dose pelo médico responsável, a orientação nutricional e o apoio psicológico.
Ao propor um olhar para a agonorexia , procuro abrir espaço para uma pergunta que costuma ficar escondida pelo resultado rápido: como essa pessoa está emagrecendo?
Os agonistas do GLP-1 são recursos importantes e não devem ser reduzidos a uma narrativa de medo. O cuidado está em preservar, durante o tratamento, a capacidade de nutrir o organismo e continuar em diálogo com ele.
Saciedade pode ser terapêutica; silêncio absoluto pede escuta.
* Maria Klien é psicóloga e criadora do projeto Psicologia da Moda, iniciativa que articula comportamento, identidade e expressão a partir da relação entre vestuário e subjetividade.
Fibras: 4 benefícios indispensáveis desse nutriente para o corpo
Guia do Estudante
Viagem e Turismo
Guia + Veja
Veja + Zero Hora
Leia também no
Abril Comunicações S.A., CNPJ 44.597.052/0001-62 - Todos os direitos reservados.
Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login
Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login
Revista em Casa + Digital Premium
*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app. *Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).