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Atriz relata má experiência com medicamento, usado para fins estéticos; saiba quando efeitos colaterais acontecem e como evitá-los
Introdução Fernanda Paes Leme revelou ter tentado usar Mounjaro para emagrecimento estético pós-parto, mas teve reações adversas e precisou interromper. O medicamento é aprovado para obesidade ou sobrepeso com comorbidades. Entenda os riscos do uso fora de indicação médica, os efeitos colaterais comuns e como minimizá-los.
Principais Tópicos Experiência de Fernanda Paes Leme com Mounjaro para fins estéticos e efeitos adversos. Indicações aprovadas do Mounjaro: obesidade, diabetes tipo 2 ou sobrepeso com comorbidades. Efeitos colaterais comuns (gastrointestinais) e como o corpo tende a se adaptar. Estratégias para manejar os sintomas e a importância do acompanhamento médico. Riscos do uso da medicação para fins estéticos, sem respaldo científico e com potenciais complicações.
Experiência de Fernanda Paes Leme com Mounjaro para fins estéticos e efeitos adversos.
Indicações aprovadas do Mounjaro: obesidade, diabetes tipo 2 ou sobrepeso com comorbidades.
Efeitos colaterais comuns (gastrointestinais) e como o corpo tende a se adaptar.
Estratégias para manejar os sintomas e a importância do acompanhamento médico.
Riscos do uso da medicação para fins estéticos, sem respaldo científico e com potenciais complicações.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A lista de famosos que admitem ter usado canetas emagrecedoras , como o Mounjaro , para fins estéticos só cresce. Desta vez, a atriz Fernanda Paes Leme , 43, revelou que tentou usar o medicamento antiobesidade para tentar recuperar o físico após o nascimento de sua filha, Pilar.
Em seu videocast “Grande Surto”, a artista relatou a experiência e afirmou que o seu organismo não reagiu bem à medicação .
“Depois da gravidez e da amamentação, eu tentei tomar o Mounjaro. Claro que eu tentei, sou mulher, tenho internet, existo em sociedade. Mas eu passei tão mal que o meu corpo claramente respondeu ‘entendi sua intenção, mas não vou colaborar’”, declarou.
Embora não tenha comentado se precisava, de fato, do tratamento por questões de saúde, ao compartilhar a experiência, Fernanda insinuou que buscava um emagrecimento por razões estéticas . Inclusive, a artista aproveitou o episódio para refletir sobre como a pressão dos padrões de beleza influencia as decisões das mulheres.
Sem conseguir dar sequência ao medicamento, ela contou, ainda, que recorreu a outra estratégia. “Fui para o jejum. Não sei se teria continuado no Mounjaro caso não tivesse passado mal ou se, caso engordasse de novo, recorreria outra vez”, afirmou.
O remédio, no entanto, é aprovado apenas para pessoas com obesidade , diabetes tipo 2 ou sobrepeso associado a comorbidades.
Fora dessas indicações, especialistas alertam que o risco de efeitos adversos é pouco conhecido e pode superar os possíveis benefícios, especialmente em pessoas sem excesso de peso.
É normal sentir mal estar com tirzepatida?
Não é todo mundo que se sente mal com o uso da substância, mas alguns sintomas podem, sim, aparecer, especialmente nas primeiras aplicações.
“É mais comum apresentar efeitos colaterais no início da medicação, mas, na grande maioria das vezes, eles são bem tolerados e melhoram com o tempo de uso”, explica Tarissa Petry, endocrinologista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
As reações adversas mais comuns são as gastrointestinais, como enjoo, constipação , diarreia, vômito e azia . Nos primeiros dias da aplicação também podem ocorrer dor de cabeça e uma sensação de cansaço fora do normal.
Esses desconfortos digestivos também podem aumentar conforme a dose do medicamento, segundo uma revisão publicada no Journal of the Endocrine Society (JES) , que reuniu dados de 6,8 mil participantes.
Os pesquisadores registraram que as reações ocorreram em 39% dos pacientes que usaram 5 mg de tirzepatida, 46% dos que receberam 10 mg e 49% dos tratados com 15 mg.
No entanto, segundo a pesquisa, a interrupção do tratamento por causa desses eventos foi pouco comum , sendo mais frequente na dose mais alta, atingindo 10% dos participantes.
Em geral, esses sintomas não são motivo de preocupação. “Em sua maioria, as reações são de intensidade leve a moderada “, explica Petry. Algumas pessoas, por sua vez, não sentem nenhum desfecho adverso . Aliás, estudos mostram que a sensibilidade a esse tipo de medicamento é geneticamente determinada.
De todo modo, o corpo tende a se acostumar com a substância, tornando a sensação de mal estar mais branda com o tempo .
Também, a adaptação da rotina ajuda a escapar de sensações ruins. “O paciente aprende a lidar melhor com a alimentação , identifica os alimentos que causam mais mal-estar e acaba evitando comê-los”, acrescenta Fernanda Salles, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês.
Complicações mais graves, como hipoglicemia severa, pancreatite aguda, cálculos na vesícula e colecistite também podem ocorrer, mas são raras. Segundo a pesquisa divulgada no JES, a incidência desses efeitos pode ser igual ou inferior a 1%.
Vale destacar que a segurança do produto é comprovada apenas para o medicamento original, que passou por anos de estudos e teve seus eventos adversos descritos em bula. Já as versões alternativas não oferecem garantia quanto à segurança ou aos possíveis impactos no organismo.
Por que os efeitos acontecem?
O Mounjaro (tirzepatida) pertence a uma classe de medicamentos que imita a ação de hormônios produzidos naturalmente pelo intestino após as refeições.
De forma resumida, ele ativa os receptores dos hormônios GLP-1 e GIP , aumentando a sensação de saciedade, estimulando a liberação de insulina e retardando o esvaziamento do estômago. Traduzindo: o paciente sente menos fome e tem melhor controle da glicemia.
Mas os mesmos mecanismos que tornam o medicamento eficaz também podem estar por trás dos efeitos colaterais mais comuns.
Embora essa relação ainda não seja totalmente compreendida, estudos apontam que os sintomas ocorram, justamente, porque os agonistas de GLP-1 influenciam os movimentos gastrointestinais e a produção de substâncias digestivas, como ácido gástrico, enzimas e outros líquidos.
“Ou seja, a comida permanece mais tempo no estômago e no intestino”, diz Salles. Assim, eles podem aumentar a sensação de estufamento e enjoo.
Como lidar com os sintomas?
De acordo com Salles, um bom ponto de partida é a mudança alimentar . Por exemplo, é uma recomendação dos fabricantes que sejam evitados alimentos muito gordurosos ou com muitos temperos .
Caso os efeitos aconteçam, podem ser utilizados remédios para náusea, laxativos, probióticos e antidiarreicos para amenizá-los.
Já quando o assunto é afugentar os problemas , Salles afirma que oferece aos seus pacientes 12 recomendações principais:
Melhorar a qualidade alimentar, reduzindo alimentos mais calóricos;
Comer devagar, sem distrações e aproveitando para saborear a comida;
Parar de comer quando estiver saciado;
Comer em porções menores;
Não se deitar logo após as refeições;
Evitar exercício físico logo após as refeições;
Não comer perto da hora de dormir;
Escolher alimentos mais fáceis de digerir, com baixo teor de gordura;
Aumentar a ingestão de água, mas consumindo-a aos poucos, evitando se sentir muito cheio;
Optar por alimentos saudáveis que contenham água (sopa, iogurte, gelatina e outros);
Evitar alimentos enlatados, picantes ou muito condimentados;
No início do uso, manter um diário alimentar para identificar alimentos ou horários de refeições que pioram os eventos.
Ademais, vale seguir algumas regras de Petry para evitar riscos: “o mais importante é fazer o tratamento com acompanhamento médico e não utilizar medicações que não sejam as originais , já que a tirzepatida é um medicamento sob patente e a produção por outras empresas em larga escala é proibida e, portanto, não segura”, crava a médica.
+Leia também: “ Mounjaro do Paraguai”: entenda os riscos de canetas emagrecedoras sem regulamentação
Quando é recomendado interromper a medicação
Fernando Gerchman, endocrinologista do Hospital Moinhos de Vento, explica que o uso deve ser interrompido quando os eventos adversos são intensos e não podem ser controlados. “Mas, usualmente isso, não precisa ser feito.”
O uso também pode ser paralisado se o paciente não apresenta melhora . “É mais prudente a mudança de tratamento”, diz Salles.
A médica também faz um alerta: “o objetivo não é emagrecer a qualquer custo e passar mal, pois, se for assim, o paciente não vai sustentar a perda de peso a longo prazo”.
Uso para fins estéticos é mais perigoso
Ao contar a sua experiência com a tirzepatida, Fernanda Paes Leme reforçou que os padrões estéticos a influenciaram a buscar a medicação.
“É assim que a influência funciona, ela não pega só quem acredita em tudo, ela pega quem vive no mesmo mundo, quem acha que tá atento, quem vê as mesmas imagens, quem recebe as mesmas mensagens, quem escuta o tempo todo que existe uma versão melhor de você, uma versão mais magra , uma versão mais eficiente, mais gata, mais desejável, esperando ali para ser desbloqueada”, afirmou.
Os médicos ressaltam, porém, que não existem estudos em grandes ensaios randomizados para a liberação da medicação com segurança entre pessoas sem a indicação hoje conhecida.
“Portanto, o uso fora de indicação não está respaldado em evidências científicas e pode, sim, trazer piores consequências “, diz Petry.
Salles também crava: os riscos são maiores entre pessoas magras. “Esse uso acaba acarretando na redução de alimentos que também são saudáveis, levando a uma fadiga para fazer exercício e à perda de massa muscular”, alerta.
Outro ponto importante é que pessoas com peso considerado normal e pouca gordura corporal têm uma margem muito menor para perder peso sem comprometer a saúde, segundo Gerchman. Nesses casos, um emagrecimento excessivo pode levar mais facilmente a um quadro de desnutrição .
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