Perdi o olfato por causa da sinusite e quase incendiei minha casa

Perdi o olfato por causa da sinusite e quase incendiei minha casa

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Anosmia e dificuldades respiratórias marcaram a vida de Priscila, devido a uma rinossinusite crônica, mas tratamento inovador mudou a sua história

Introdução Descubra a história de Priscila, que viveu décadas com Rinossinusite Crônica e pólipos nasais, perdendo o olfato e enfrentando sérias dificuldades respiratórias. Uma doença subestimada que a levou a uma situação de risco de vida e impactou profundamente seu dia a dia. Conheça sua jornada de diagnóstico tardio e a transformação com um tratamento inovador.

Principais Tópicos Diagnóstico tardio de Rinossinusite Crônica com Pólipos Nasais aos 20 anos. Impacto da perda de olfato e dificuldades respiratórias na segurança e vida diária. Incidente de incêndio nos EUA que quase resultou em extradição e risco à vida. Desafios sociais e físicos decorrentes da doença crônica. Transformação da qualidade de vida com novo tratamento imunobiológico (dupilumabe).

Diagnóstico tardio de Rinossinusite Crônica com Pólipos Nasais aos 20 anos.

Impacto da perda de olfato e dificuldades respiratórias na segurança e vida diária.

Incidente de incêndio nos EUA que quase resultou em extradição e risco à vida.

Desafios sociais e físicos decorrentes da doença crônica.

Transformação da qualidade de vida com novo tratamento imunobiológico (dupilumabe).

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Pelo fato de não sentir cheiros , eu quase fui presa, quase morri queimada e coloquei a risco a vida de todo o pessoal que morava comigo.

Mas, para entender essa história, é preciso voltar alguns anos .

Eu comecei a ter problemas respiratórios muito jovem. Lembro-me de desenvolver na infância uma bronquite e, desde então, ser sempre acompanhada por quadros de gripe .

A situação, no entanto, piorou muito na adolescência . Entre os 13 e 15 anos foi um período muito complicado. Eu sentia realmente que o meu nariz havia fechado .

Passei a ter muita dificuldade para respirar , desenvolvi uma voz anasalada e perdi completamente o olfato . Mas, naquela época, nem eu nem minha família percebíamos que não era normal viver com o nariz sempre escorrendo ou “ travado “.

O meu diagnóstico chegou bem tarde, por volta dos 20 anos . Era rinosisnusite (também chamada apenas de “ sinusite ”) crônica com pólipos nasais , uma inflamação na qual crescem pólipos (pequenos ‘caroços’) dentro do nariz, bloqueando a passagem de ar.

A essa altura, a doença já tinha se estabelecido nas minhas vias aéreas e tinha acometido todos os bolsões de ar da cabeça.

Era muito desgastante fisicamente : você tem que comer e respirar de boca aberta, o seu nariz perde a funcionalidade e, querendo ou não, isso afeta o corpo todo.

O convívio social era outro problema. Em jantares ou reuniões de trabalho, eu precisava interromper apresentações para fazer pausas para respirar. Isso impactava muito o meu dia a dia e me causava vergonha .

Foi já convivendo com esse quadro que aconteceu um episódio que marcou de vez o impacto da perda do olfato na minha vida.

O incêndio

Eu morava nos Estados Unidos e sempre ficava muito preocupada com os problemas respiratórios por causa do quadro que eu tinha.

Fui morar em uma casa compartilhada e dividia um quarto grande com outras duas meninas. No dia em que cheguei, elas saíram e eu aproveitei para deixar o quarto bem limpinho para me instalar.

Havia um tapete no quarto. Eu o enrolei e guardei em uma portinha, sem perceber que ali ficava o heater , o aquecedor central da casa.

Pouco tempo depois, o alarme de incêndio começou a tocar.

Eu fiquei desesperada, comecei a sair do quarto e perguntar para as pessoas o que estava acontecendo. Todo mundo foi tentando descobrir de onde vinha o cheiro de queimado , mas eu não sentia nada.

A fumaça também não era visível, então saímos para o lado de fora procurando a origem do problema. Quando olhei para cima, vi a fumaça saindo da janela do meu quarto .

Foi aí que descobrimos que eu tinha enrolado o tapete sobre o aquecedor e, então, começou a pegar fogo.

Resumindo: a casa foi interditada. Veio o caminhão de bombeiros, o CSI [ perícia dos EUA ] e muita gente, porque achavam que eu tinha colocado fogo na casa de propósito . Eu iria ser extraditada do país.

Então, tudo se resolveu quando eu contei a eles a verdade e expliquei o que tinha acontecido. Mas foi assim que quase fui presa, quase morri queimada e quase matei todo o pessoal que morava comigo.

É esse tipo de situação que mostra como a falta de algum sentido implica diretamente no nosso dia a dia.

+Leia também: Chega de sinusite: como identificar as causas e evitar que o problema volte

A jornada por diagnóstico e tratamento

Desde que os sintomas começaram a se intensificar, na minha adolescência, houve uma longa jornada.

Com o tempo, ir ao pronto-socorro já não resolvia minha situação. Foi aí que meus pais optaram por procurarmos um especialista.  Então, eu fui redirecionada a um otorrinolaringologista e uma pneumonologista .

Foi nessa época que fiz uma nasofibroscopia , exame rápido e minimamente invasivo realizado com um tubo acoplado a uma câmera, que permite visualizar o interior do nariz, da faringe e da laringe.

Antes disso, eu fazia apenas exames como raio-X e tomografia dos seios da face. Na época, a nasofibroscopia ainda não era tão acessível. Hoje sabemos o quanto esse exame facilita o diagnóstico .

Também nesse período que fui orientada a fazer minha primeira cirurgia — em seguida, faria outras três .

Ao longo da vida, tambémfiz tratamentos recorrentes com antibióticos , anti-inflamatórios e corticoides, o que chegou a trazer efeitos colaterais, como pressão alta no olho .

Somente décadas depois , conheci uma médica que trouxe alternativas diferentes.

Então, comecei um tratamento com medicamento imunobiológico (com o dupilumabe ) . Em um curto período de tempo, eu já consegui ver efeitos que eu passei quase 20 anos sem saber que existiam.

Em menos de um ano, houve regressão da polipose de 100% para 10% .

+Leia também: Novo tratamento para sinusite crônica reduz necessidade de cirurgia

Então, fui recuperar minha biblioteca olfativa e, sobretudo, voltar a respirar.

A perda de olfato tem um fator emocional e físico : o cheiro se relaciona com a alimentação e até com o afeto. Mas, pra mim, a falta da respiração era o que mais me preocupava e limitava muito a minha vida no dia a dia.

Em dado momento, você passa a considerar que não tem qualidade de vida e, então, diversas coisas ruins passam pela sua cabeça.

A vida com cheiros

Tenho voltado aos poucos a me adaptar aos cheiros .

Logo quando voltei a ter esse sentido, foi uma verdadeira confusão . Um dia estava tomando e parecia que tinha uma festa na minha cabeça: era o cheiro do sabonete, o cheiro do shampoo, o cheiro da água caindo no ralo… muitos cheiros misturados! Aquilo chegava a me dar dor de cabeça, porque eu não estava habituada.

Teve outra situação marcante. Abri a geladeira da minha casa e senti um cheiro muito forte , muito ruim. Chamei meu marido e falei: “Nossa, tem alguma coisa muito estragada aqui dentro”. Ele veio e respondeu: “Esse é o cheiro do abacaxi “.

Eu já não tinha mais essa biblioteca olfativa . Então, sentir o cheiro do abacaxi foi tudo muito novo .

Depois vieram o cheiro do meu marido, das minhas filhas, até do meu cachorro… Foram coisas que me impactaram muito emocionalmente .

Até para comer foi diferente. Eu sempre gostei muito de ovo e descobri que o cheiro dele não é tão bom assim . Essa talvez não tenha sido a melhor descoberta. Mas sentir o cheiro do café foi fantástico, assim como o de tantas outras comidas deliciosas que a gente tem.

Sem dúvida, isso mudou completamente a minha vida .

Hoje consigo falar com tranquilidade e a minha voz não tem nada a ver com a de alguns anos atrás.

Também procuro sentir o máximo de cheiros possível. Gosto muito de flores e, sempre que tenho oportunidade de estar em um lugar com bastante verde , tento sentir o cheiro de tudo o que consigo.

Tem cheiros que eu ainda esqueço; alguns voltam facilmente, outros eu ainda não consigo lembrar exatamente como eram.

É uma construção diária. Até na minha fala eu me policio para não atropelar as palavras. A emoção de conseguir falar uma frase inteira ainda é tão grande que, às vezes, eu quero falar rápido demais.

Hoje eu tenho uma vida completamente diferente da que tive durante tantos anos. Sou muito grata aos profissionais, à minha médica e aos avanços da ciência, que realmente mudaram a minha vida.

Aos 40 ano s, consegui viver uma transformação que eu nunca imaginei ser possível.

*Priscila Ratkov é uma paciente de rinossinusite crônica com pólipos nasais.

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