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Estudos mostram que análogos de GLP-1 podem atuar contra a fissura e a impulsividade na dependência química
Introdução As canetas emagrecedoras, baseadas em GLP-1 como semaglutida e tirzepatida, que já tratam diabetes e obesidade, estão sendo estudadas para dependência química. Um estudo no BMJ indica redução de 14% no risco de vício e melhorias em casos existentes, agindo contra a fissura. Entenda a ciência por trás.
Principais Tópicos GLP-1 análogos, como semaglutida e tirzepatida, são estudados para transtornos por uso de substâncias. Estudo indica 14% de redução no risco de dependência de álcool e drogas para usuários de GLP-1. Houve queda de 39% no risco de overdose e 50% na mortalidade para dependentes. Ação dos GLP-1 ocorre contra a fissura, impactando o sistema de recompensa cerebral. Medicamentos exibem efeitos anti-inflamatórios e neuroprotetores no cérebro.
GLP-1 análogos, como semaglutida e tirzepatida, são estudados para transtornos por uso de substâncias.
Estudo indica 14% de redução no risco de dependência de álcool e drogas para usuários de GLP-1.
Houve queda de 39% no risco de overdose e 50% na mortalidade para dependentes.
Ação dos GLP-1 ocorre contra a fissura, impactando o sistema de recompensa cerebral.
Medicamentos exibem efeitos anti-inflamatórios e neuroprotetores no cérebro.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Já aprovadas para o tratamento de doenças como o diabetes tipo 2 , a obesidade e a apneia obstrutiva do sono , as canetas emagrecedoras também estão sendo estudadas como medicamentos para transtornos por uso de substâncias.
Um estudo publicado em março no The British Medical Journal (BMJ) estimou que o uso de análogos da GLP-1 , como a semaglutida e a tirzepatida , está associado a uma redução de 14% no risco de dependência de álcool e outras drogas.
Ao avaliar mais de 600 mil veteranos com diabetes tipo 2 nos Estados Unidos, os pesquisadores observaram que aqueles que fizeram tratamento com essa classe de medicações apresentaram menor risco de transtorno por uso de álcool (18%), cannabis (14%), cocaína (20%), nicotina (20%) e opioides (25%).
Entre aqueles que já conviviam com dependências de substâncias também foi observada uma queda de 39% no risco de overdose, de 31% em atendimentos de emergência, de 26% em hospitalizações e de 50% em mortalidade.
“A descoberta sobre os medicamentos à base de GLP-1 é que eles realmente funcionam contra todas as principais substâncias, e o fazem de maneira uniforme — não por atuarem especificamente contra o álcool, os opioides ou a nicotina, mas porque provavelmente agem contra a própria fissura “, explica o epidemiologista Ziyad Al-Aly, coautor do estudo, em comunicado à imprensa .
“Eles atenuam aquele desejo intenso que atrai as pessoas para aquilo de que são dependentes.”
Ainda que os medicamentos não tenham indicação aprovada para o tratamento de dependências químicas, multiplica-se o interesse dos cientistas pelo papel dos análogos da GLP-1 contra a dependência química — sobretudo o abuso de álcool .
Canetas contra o álcool
O uso de análogos da GLP-1 para o tratamento do transtorno por uso de álcool foi tema de uma palestra realizada no Congresso sobre Cérebro, Comportamento e Emoções ( Brain Congress )*, realizado em junho, em Porto Alegre (RS).
Na ocasião, a psiquiatra Silvia Bassani Schuch Goi, do Centro de Pesquisas em Álcool e Drogas do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (CPAD/HCPA), explicou o que se sabe até agora sobre a atuação de medicações a base de semaglutida e tirzepatida na diminuição da compulsão por substâncias viciantes .
“Elas vêm sendo estudadas como potenciais tratamentos para o transtorno por abuso de álcool e outras substâncias devido aos efeitos neurobiológicos no nosso sistema de recompensa , de motivação e de controle do comportamento adictivo”, afirma Goi.
Enquanto o consumo de álcool estimula a liberação de dopamina, o hormônio do prazer , produzindo a sensação de que fomos gratificados pela ingestão, os análogos da GLP-1 podem reduzir o efeito dessa cascata hormonal induzida pela bebida.
“O GLP-1 é um hormônio produzido no intestino, mas também sintetizado no nosso cérebro, mais precisamente no núcleo do trato solitário. Então, esses medicamentos atuam no eixo intestino-cérebro , e assim eles parecem reduzir a fissura e a impulsividade — uma ação inibitória que tem a ver com a melhora do controle do córtex pré-frontal”, explica a especialista.
Além disso, se o álcool é um agente inflamatório e provoca uma verdadeira bagunça no nosso sistema de recompensa, os análogos da GLP-1 produzem o efeito contrário. “Tem ação anti-inflamatória, neuroprotetora e antioxidante — podem melhorar a plasticidade neural e a função executiva e diminuir a vulnerabilidade ao estresse”, completa.
Mais estudos clínicos devem ser realizados a fim de comprovar a segurança e a eficácia dos medicamentos na dependência química.
*A repórter viajou a Porto Alegre a convite da organização do Brain Congress.
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