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Técnica tem grande interesse científico, mas atualmente só tem aplicação em casos muito raros
Introdução Camila Queiroz congelou células-tronco da filha. O procedimento, que envolve a coleta do cordão umbilical pós-parto, gera interesse científico pelo potencial terapêutico em cerca de 80 doenças. Contudo, o uso autólogo é raro (0,00016%), e a técnica é cara. No Brasil, a doação pública está suspensa por altos custos e baixa demanda.
Principais Tópicos O que são e como são coletadas as células-tronco do cordão umbilical. Aplicações atuais e potenciais das células-tronco no tratamento de doenças. Controvérsia sobre as promessas e os altos custos de congelamento em bancos privados. Recomendação de especialistas para doação a bancos públicos, em vez do congelamento particular. Situação da doação no Brasil, com suspensão em bancos públicos devido a custos e baixo uso.
O que são e como são coletadas as células-tronco do cordão umbilical.
Aplicações atuais e potenciais das células-tronco no tratamento de doenças.
Controvérsia sobre as promessas e os altos custos de congelamento em bancos privados.
Recomendação de especialistas para doação a bancos públicos, em vez do congelamento particular.
Situação da doação no Brasil, com suspensão em bancos públicos devido a custos e baixo uso.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A atriz e apresentadora Camila Queiroz revelou, na terça, 7, que decidiu congelar as células-tronco extraídas do cordão umbilical da filha, Clara. O procedimento é realizado imediatamente após o nascimento e permite a preservação dessas células para usos futuros.
A técnica vem atraído grande interesse científico devido à versatilidade das células-tronco que, em tese, podem ajudar a tratar ou até mesmo curar uma série de condições que desafiam a medicina .
Em particular, atualmente elas oferecem esperanças principalmente em casos de transplantes, mesmo sem beneficiar a própria pessoa cujas células-tronco foram congeladas.
Muitos usos, porém , ainda são alvo de estudos iniciais , com especialistas recomendando cautela sobre os potenciais e limitações da técnica no estágio atual da ciência.
A conservação também é muito cara e é comum que as famílias desistam de arcar com os custos do congelamento sem jamais utilizar a amostra guardada.
Entenda melhor como funciona o congelamento das células-tronco e por que ele ainda não representa uma panaceia.
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Como funciona o congelamento das células-tronco do cordão umbilical
Até poucas décadas atrás, o cordão umbilical de um bebê era encarado, no máximo, como algo para ser guardado já ressecado como uma recordação do nascimento.
Hoje, sabe-se que ele também guarda um potencial tesouro para a saúde: ali dentro, ficam resquícios de sangue rico nas chamadas células-tronco hematopoiéticas , capazes de se transformar em outras células sanguíneas.
O procedimento envolve a coleta do sangue do cordão umbilical imediatamente após o parto. Posteriormente, ele é submetido a análises e processamentos laboratoriais para separar as células de interesse médico dos glóbulos vermelhos típicos e eventuais impurezas, passando a seguir para o congelamento.
Uma vez preservadas, as células são conservadas em nitrogênio líquido, a uma temperatura de quase 200 graus negativos.
A técnica não coloca o bebê em risco, já que o sangue que interessa nesse caso está localizado no cordão umbilical (e na placenta) , que é cortado em qualquer cenário, mesmo quando não há interesse em preservar as células-tronco.
Para que serve exatamente essa técnica?
Para entender a importância das células-tronco encontradas no cordão umbilical, pode-se fazer a comparação: elas são semelhantes àquelas encontradas na medula óssea .
Em anos recentes, um número crescente de pesquisas tem demonstrado que o transplante das células do cordão pode ter usos potenciais semelhantes aos de um transplante de medula .
Atualmente, elas podem ser empregadas no tratamento de cerca de 80 doenças , especialmente condições linfáticas ou hematopoiéticas com terapias mais difíceis.
Usos consagrados incluem a anemia falciforme , a anemia de Fanconi e a adrenoleucodistrofia . Uma série de estudos ao redor do mundo tenta consolidar outras possibilidades terapêuticas em torno das células-tronco obtidas no cordão umbilical.
A maior polêmica em torno do congelamento das células do cordão umbilical, portanto, não é se isso tem utilidade, mas as promessas exageradas sobre seu potencial.
Além disso, bancos privados vêm incentivando que famílias realizem o congelamento como uma “ reserva ” para o futuro da própria criança ou seus familiares, pagando caro por isso, mesmo que os usos com evidências mais robustas ainda se limitem a condições raras.
Na prática, muitas dessas células-tronco para uso pessoal acabam guardadas à toa e nunca são usadas. Por isso, em vez disso, o que muitos especialistas recomendam é a doação do sangue do cordão umbilical e placentário para bancos públicos.
Essa é a posição, por exemplo, da Associação Americana de Pediatria (AAP) desde 2007, reafirmada em suas diretrizes atualizadas 10 anos mais tarde . Isso aumenta a possibilidade de tratamento para pacientes compatíveis que tenham alguma das doenças que podem ser aliviadas por essas células-tronco.
Como é a doação de sangue umbilical no Brasil
No Brasil, bancos públicos de sangue umbilical e placentário são vinculados à Rede BrasilCord , que reúne 15 instituições. Há outros 15 bancos privados reconhecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em seu relatório mais recente sobre o tema, publicado em fevereiro deste ano com dados de 2024.
Entretanto, a doação está suspensa no país. O entendimento atual é que manter esse material preservado não compensa os elevados custos da técnica: até o final de 2024, as coletas não aparentadas seguiam suspensas em toda a rede BrasilCord como consequência de uma decisão tomada ainda na pandemia e que não foi revertida mesmo após o final da emergência sanitária.
Ainda segundo o relatório, no começo de 2025 o Instituto Nacional do Câncer (INCA), em decisão conjunta com a Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, optou por não abrir novas unidades nem ampliar o acervo existente.
“A justificativa fundamenta-se na queda significativa do uso de células-tronco de sangue de cordão umbilical e placentário em transplantes , observada nos últimos anos, aliada aos elevados custos de manutenção do acervo dessas unidades”, destaca o documento.
Mesmo com o pouco interesse nos bancos públicos, o documento também acaba desencorajando a preservação das células para uso próprio.
Os dados históricos da técnica reforçam como esse uso é extremamente raro: entre 2003 e 2024, foram realizadas 164.789 coletas em bancos privados; no mesmo período, apenas 9 foram empregadas em uso autólogo e outras 17 em uso aparentado, o equivalente a 0,00016% do total.
Nos mesmos 21 anos, mais de 9 mil famílias rescindiram a contratação do congelamento, levando ao descarte de amostras que acabaram não tendo qualquer uso clínico ou científico.
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