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Testes realizados no CIATox da Unicamp só avaliaram a presença da tirzepatida, mas não garantem ausência de contaminantes ou eficácia do produto
Com o mercado de canetas emagrecedoras vindas do Paraguai preocupando as autoridades sanitárias brasileiras, um teste realizado no Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Unicamp (CIATox) da Unicamp virou arma para difusão de fake news : entusiastas do produto contrabandeado dizem que as análises laboratoriais teriam comprovado a equivalência da tirzepatida paraguaia com a versão original do fármaco, o Mounjaro.
Essa afirmação é falsa. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) precisou divulgar um desmentido na segunda-feira (6), reforçando os riscos de utilizar o produto, que não conta com aval para venda regular em território brasileiro.
O que realmente aconteceu
O CIATox da Unicamp realmente fez análises para verificar a presença de tirzepatida em medicamentos vindos do Paraguai, considerando aspectos como a concentração e a estrutura molecular do princípio ativo consagrado pelo Mounjaro .
Os testes confirmaram que havia molécula com estrutura molecular semelhante à da tirzepatida nas amostras, mas, ao contrário do difundido nas redes, isso não significa que o produto seja equivalente ao Mounjaro.
A Anvisa explica: a simples presença da substância no frasco não garante qualquer outro tipo de similaridade em relação ao produto original.
As análises do CIATox não avaliaram qualquer critério de segurança como a eventual presença de impurezas, contaminantes, esterilidade e, especialmente, biodisponibilidade , informação indispensável para entender se um medicamento funciona de forma equivalente a outro.
A retirada de impurezas da substância, aliás, é um dos procedimentos mais complexos envolvendo esse tipo de produto e, por isso, difícil de ser reproduzido entre farmacêuticas de pequeno porte.
Por que a versão paraguaia não deve ser usada
Em função das questões apontadas acima, a tirzepatida vinda do Paraguai segue sem aprovação de uso no Brasil.
O medicamento precisaria ser submetido a ensaios clínicos capazes de comprovar sua eficácia e segurança, dentro dos critérios estabelecidos pela Anvisa, e nada disso aconteceu.
Ao utilizar um medicamento que não foi aprovado pelas autoridades sanitárias brasileiras nem segue os padrões de qualidade estabelecidos pela legislação nacional, o paciente fica sujeito a contaminações imprevistas.
Além disso, ao acreditar que um remédio é equivalente mesmo sem ter provas disso, pode acabar seguindo um tratamento com dosagens erradas , que podem ser inócuas ou excessivas para a sua situação.
Isso pode agravar a condição que se busca tratar ou promover efeitos colaterais ainda mais severos do que aqueles já conhecidos para o produto original .
Qual é a situação regulatória da tirzepatida no Brasil?
Ao contrário do que ocorre com outros princípios ativos, como a semaglutida, que já tiveram quebra de patente , a tirzepatida ainda é uma molécula que pertence exclusivamente à farmacêutica que a fabricou. No Brasil, o único produto comercial vendido regularmente com esse princípio ativo é o Mounjaro, da Eli Lilly.
Além disso, também é possível adquirir versões manipuladas da tirzepatida , que têm gerado muita controvérsia em entidades médicas – organizações como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), por exemplo, contraindicam seu uso. Submetidas a uma fiscalização menos rígida , as manipulações também podem conter impurezas, com um risco ainda maior devido à variedade de locais aptos a produzi-la.
Em qualquer cenário, as manipulações só devem ser feitas de maneira individualizada, em situações específicas. Entretanto, muitas empresas têm explorado brechas legais para produzir irregularmente em larga escala , algo que as autoridades vêm tentando coibir.
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