O telefone sem fio entre intestino e cérebro que atrapalha o emagrecimento

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Estudo mostra como a interação entre os órgãos e o tecido adiposo influencia a fome, a saciedade e o risco de ganho de peso

Introdução O ganho de peso vai além da contagem calórica. Nova pesquisa revela um complexo circuito entre intestino, gordura e cérebro, onde uma dieta inadequada causa inflamação e prejudica a saciedade. Entenda como essa conexão biológica impulsiona a obesidade e a importância da alimentação e de certos medicamentos nesse processo.

Principais Tópicos A ciência do ganho de peso é mais complexa que a equação calórica e a força de vontade. Um estudo detalha a conexão entre intestino, tecido adiposo e hipotálamo no controle da fome e acúmulo de gordura. Dietas inadequadas, ricas em açúcar e gordura saturada, provocam inflamação que afeta os sensores de saciedade no cérebro. A obesidade é compreendida como uma disfunção metabólica e inflamação crônica. Medicamentos e uma dieta rica em fibras modulam o ambiente intestinal e o circuito de saciedade.

A ciência do ganho de peso é mais complexa que a equação calórica e a força de vontade.

Um estudo detalha a conexão entre intestino, tecido adiposo e hipotálamo no controle da fome e acúmulo de gordura.

Dietas inadequadas, ricas em açúcar e gordura saturada, provocam inflamação que afeta os sensores de saciedade no cérebro.

A obesidade é compreendida como uma disfunção metabólica e inflamação crônica.

Medicamentos e uma dieta rica em fibras modulam o ambiente intestinal e o circuito de saciedade.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Por muito tempo, o ganho de peso foi encarado pela sabedoria popular como uma simples equação matemática entre calorias ingeridas e calorias gastas , ou mesmo como uma questão de força de vontade .

No entanto, a ciência vem demonstrando que o controle da fome e o acúmulo de gordura corporal dependem de uma engenharia biológica muito mais complexa e integrada .

Um novo estudo de revisão, publicado no periódico científico Reviews in Endocrine and Metabolic Disorders , detalha que o nosso organismo opera por meio de uma espécie de “ linha direta ” que conecta três sistemas: o intestino (e os trilhões de bactérias que vivem nele), o tecido adiposo (as células de gordura) e o hipotálamo (a região do cérebro responsável pelo controle da fome e do gasto energético).

Ao observar essa relação, o pulo do gato da pesquisa foi mapear o passo a passo biológico de como uma dieta inadequada , rica em açúcares refinados e gordura saturada , provoca uma quebra no equilíbrio entre esses sistema.

O circuito biológico e o sinal de saciedade

O processo começa no sistema digestivo . Uma alimentação de baixa qualidade altera o perfil das bactérias presentes no intestino, causando um desequilíbrio que prejudica a barreira de proteção do intestino , tornando a sua parede mais permeável.

Como consequência, fragmentos de bactérias e suas toxinas conseguem atravessar o intestino e entrar na corrente sanguínea, um fenômeno conhecido na ciência como endotoxemia metabólica .

Uma vez na corrente sanguínea, essas substâncias disparam uma resposta inflamatória leve , mas contínua.

Essa inflamação afeta primeiramente o tecido adiposo e, gradativamente, viaja pelo corpo até atingir o sistema nervoso central .

Ao se instalar no hipotálamo, a inflamação gera uma perda de sensibilidade nos sensores de saciedade .

O cérebro deixa de responder adequadamente à leptina , um hormônio produzido pelo tecido adiposo para avisar que o corpo possui energia suficiente, reduzindo o apetite .

Sem conseguir processar o sinal da leptina, o cérebro interpreta que o corpo ainda precisa de alimento , mesmo que haja energia de sobra estocada.

Eis que o panorama detalhado dessa comunicação entre os sistemas do corpo foi mapeado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) .

O trabalho de revisão científica foi conduzido por mim, Helena Queiroz, e por Breno Picin, sob a supervisão das professoras Débora Estadella e Luciana Pisani, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A reunião destas evidências pelos pesquisadores brasileiros ajuda a consolidar o entendimento da obesidade como uma disfunção metabólica e inflamação crônica, e não como uma falha comportamental.

O impacto no tratamento e no prato

A revisão destaca que medicamentos, como a semaglutida e a tirzepatida , fazem muito mais do que mimetizar os hormônios da saciedade no cérebro: eles são capazes de remodelar o ambiente intestinal, estimulando bactérias aliadas típicas de organismos magros.

Essas bactérias passam a produzir compostos (como o acetato ) que viajam pelo sangue até o sistema nervoso, onde ajudam a desligar a inflamação cerebral e a reativar os sensores que controlam a fome.

A importância desse circuito é tão vital que, em testes de laboratório, o uso de antibióticos potentes que destruíram a microbiota intestinal reduziu drasticamente a eficácia desses remédios .

O grande desafio, contudo, surge quando o tratamento é interrompido .

Dados clínicos recentes revelam que a suspensão do medicamento provoca uma reversão rápida , onde as bactérias benéficas perdem espaço e os neurônios que estimulam a fome voltam a ser ativados intensamente , explicando o rápido ganho de peso relatado por pacientes.

Por outro lado, o estudo também reforça que a base da prevenção e do equilíbrio metabólico continua passando pelo que colocamos no prato .

Se a desregulação do sistema começa com a alteração das bactérias intestinais , a proteção desse eixo também se inicia ali.

Uma dieta rica em fibras , oriundas de frutas, vegetais, grãos e leguminosas, estimula a produção de compostos protetores pelas bactérias benéficas, ajudando a blindar o cérebro contra a inflamação e mantendo os sinais naturais da fome funcionando perfeitamente.

* Helena Queiroz é professora afiliada da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e pesquisadora de pós-doutorado com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

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