Sabrina Sato grávida aos 45: o que muda na gestação tardia?

Sabrina Sato grávida aos 45: o que muda na gestação tardia?

Logotipo Veja Saúde Marca textual estilizada da Veja Saúde ×

Já sou assinante Sair

Olá, Usuário

Nem impossível, nem livre de riscos: especialistas explicam quais os reais impactos de uma gestação considerada "tardia"

Introdução Sabrina Sato, aos 45 anos, anuncia nova gravidez. A gestação após os 40 tem se tornado mais comum, mas levanta questões sobre riscos e cuidados. Especialistas explicam os desafios da fertilidade e os potenciais riscos para mãe e bebê, destacando que um pré-natal adequado é chave para desfechos positivos.

Principais Tópicos Dificuldade em engravidar após os 40 anos devido à redução da reserva e qualidade dos óvulos. Riscos para a mãe, como hipertensão, pré-eclâmpsia e diabetes gestacional, que exigem monitoramento. Riscos para o bebê, incluindo síndromes cromossômicas e prematuridade. Apesar dos desafios, gestações após os 40 anos podem ter desfechos positivos com acompanhamento médico rigoroso. Importância do pré-natal precoce, rastreamento cromossômico e controle de comorbidades para a segurança.

Dificuldade em engravidar após os 40 anos devido à redução da reserva e qualidade dos óvulos.

Riscos para a mãe, como hipertensão, pré-eclâmpsia e diabetes gestacional, que exigem monitoramento.

Riscos para o bebê, incluindo síndromes cromossômicas e prematuridade.

Apesar dos desafios, gestações após os 40 anos podem ter desfechos positivos com acompanhamento médico rigoroso.

Importância do pré-natal precoce, rastreamento cromossômico e controle de comorbidades para a segurança.

Este resumo foi útil? 👍 👎 Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Este resumo foi útil?

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

A apresentadora Sabrina Sato, de 45 anos, anunciou, nesta segunda-feira, 22, que está grávida .

A novidade foi compartilhada nas redes sociais, por meio de um vídeo narrado pela filha da artista , Zoe, de 7 anos. Na gravação, a menina conversa com os espectadores para contar que um novo bebê está a caminho .

Como divulgado na imprensa, a nova gestação acontece quase dois anos após Sabrina e o marido, o ator Nicolas Prattes, enfrentarem uma perda gestacional na 11ª semana de gravidez.

Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sabrina Sato (@sabrinasato)

Assim, a notícia foi amplamente celebrada por familiares e amigos na publicação feita pelo casal esta semana.

Sato é mais um exemplo das muitas mulheres que têm optado pela chamada gravidez de “ idade materna avançada” . O número de mulheres que gestam após os 35 anos cresceu consideravelmente nas últimas décadas.

Dados da Estatísticas do Registro Civil, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 13,81% dos nascidos em 2024 eram filhos de mães com idade entre 35 e 39 anos . E 0,26% na faixa dos 45 aos 49.

Pouco a pouco, essa mudança de perfil vai desconstruindo a ideia de que engravidar após os 40 anos é impossível ou perigoso . Mas, afinal, qual o real impacto do avançar da idade na gestação? E quais são os cuidados extras realmente necessários?

+Leia também: A fertilidade do homem também é impactada pelo envelhecimento

Por que é mais incomum engravidar após os 40 anos?

Quando surgem notícias de mulheres famosas engravidando após os 40 anos, é comum que parte do público demonstre surpresa com a novidade , já que casos assim são considerados menos comuns.

O cenário é assim porque, com o avançar da idade, a fertilidade da mulher cai. Segundo a ginecologista Anne Pereira, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o principal motivo por trás disso é o envelhecimento ovariano .

Ao nascer, a mulher já possui uma reserva de folículos (pequenas bolsas que abrigam os óvulos) definida . Com o passar do tempo, essa reserva vai se esgotando naturalmente.

Para ter ideia, a mulher nasce com aproximadamente um a dois milhões de óvulos . Ao chegar na puberdade, restam cerca de 300 a 500 mil . E, ao longo da vida, esse estoque diminui continuamente .

“Após os 35 anos, ocorre uma aceleração dessa perda , e, após os 40 anos, a queda torna-se ainda mais significativa ”, completa a médica.

Mas não é apenas uma questão de quantidade. Também há um impacto naquilo que os médicos chamam de “ qualidade ” dos óvulos.

Devido a essas mudanças, que surgem naturalmente com o tempo, há uma maior chance de alterações cromossômicas do feto (que podem aumentar o risco do abortamento ou condições como a Síndrome de Down), menor potencial de fertilização e menor capacidade de desenvolvimento embrionário.

“Aos 30 anos, a chance de gravidez espontânea por ciclo é em torno de 20% . Aos 40 anos, cai para cerca de 5% . Entre os 43 e 44 anos, pode ficar abaixo de 2% a 3% ”, exemplifica Pereira.

Esse fenômeno ajuda a explicar por que cresce a procura por técnicas de reprodução assistida entre mulheres nessa faixa etária.

Quais são os riscos da gestação tardia?

Algumas complicações se tornam mais frequentes com o avanço da idade.

Entre elas estão a hipertensão gestacional e a pré-eclâmpsia , condição caracterizada pela elevação da pressão arterial e que pode comprometer tanto a saúde da mãe quanto a do bebê .

Segundo Pereira, parte dessa associação está relacionada às transformações naturais que ocorrem nos vasos sanguíneos ao longo do envelhecimento, como uma maior rigidez das suas paredes.

Durante a gravidez, a placenta precisa promover uma espécie de “reforma” nas artérias da região do útero para aumentar o fluxo sanguíneo local e, consequentemente, o fornecimento adequado de oxigênio e nutrientes ao feto.

Quando essa adaptação não acontece da forma esperada, aumentam as chances de complicações como a hipertensão e pré-eclâmpsia, bem como restrição do crescimento fetal .

Outro desafio comum é a diabetes gestacional. Isso porque, com a idade, tende a ocorrer um aumento da resistência à insulina — hormônio responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue.

Pereira lista, ainda, que os partos por cesariana também são mais frequentes após os 35 . E eles costumam ser indicados devido a fatores como a maior presença de doenças crônicas, alterações placentárias, miomas e situações que podem levar ao sofrimento fetal durante o trabalho de parto.

Uma pesquisa publicada no ano passado no periódico Journal of Clinical Medicine , acompanhou mais de 350 mulheres com mais e menos de 40 anos para avaliar e comparar os desfechos maternos e fetais entre gestações de acordo com a idade.

Segundo o estudo, 14,8% das mulheres com mais de 40 anos apresentaram diabetes gestacional (contra 7,7% do outro grupo), 13% pré-eclâmpsia (contra 5,7%) e 18% hemorragia pós-parto (contra 10,5%).

Além disso, as mães mais velhas realizaram mais cesarianas: 73% contra 36,1% das mais novas .

Ainda assim, embora a pesquisa tenha apontado que existem mais riscos, os próprios estudiosos concluíram que, com bons cuidados pré-natais , resultados positivos são frequentemente alcançáveis .

Portanto, não é que necessariamente haverá problemas , apenas que existe a necessidade de manejo específico para cada faixa etária e detecção precoce de riscos.

A gravidez após os 40 anos é preocupante?

Segundo Pereira, existem dois extremos equivocados quando o assunto é a gestação com idade materna avançada. O primeiro extremo seria a ideia de que depois dos 40 é impossível ou extremamente perigoso ter um bebê.

“ Isso não é verdade . Milhares de mulheres têm gestações saudáveis após os 40 anos”, ressalta.

Por outro lado, ela diz que não é correto acreditar que a medicina já resolveu todos os problemas relacionados a esse tipo de gestação e não há com o que se preocupar.

“A medicina moderna diagnostica precocemente , monitora melhor e trata complicações com mais eficácia. Mas ela não rejuvenesce os óvulos nem elimina completamente os riscos biológicos do envelhecimento reprodutivo”, pondera.

Portanto, os riscos realmente existem, mas são conhecidos e podem ser acompanhados. Dessa forma, a maior parte das mulheres saudáveis de 40 a 45 anos terá uma evolução favorável quando bem assistida.

O acompanhamento médico regular é importante para avaliar riscos individuais e orientar cada etapa da gestação.

Como é o pré-natal depois dos 40?

Segundo Pereira, os passos iniciais incluem iniciar o pré-natal o quanto antes e fazê-lo de forma detalhada e atenciosa.

Entre as recomendações para esse processo, é muito importante avaliar doenças pré-existentes , como hipertensão, diabetes, problemas na tireoide e doenças autoimunes.

Assim, a mãe deverá realizar exames laboratoriais iniciais , revisar medicações em uso, bem como iniciar ou manter as suplementações que se façam necessárias.

Além disso, as famílias podem fazer testes como o ultrassom morfológico e Teste Pré-Natal Não Invasivo (NIPT, na sigla em inglês), que são capazes de detectar alterações cromossômicas nos fetos.

Por fim, a ginecologista Maria Rita de Figueiredo Lemos Bortolotto destaca que, durante toda a gestação, é muito importante trabalhar para a manutenção do estado geral da saúde da mãe.

“A apresentadora [ Sabrina Sato ] tem uma condição física excelente. Por isso, a probabilidade dela desenvolver diabetes ou hipertensão é pequena “, avalia a médica, membro da Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco da Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

“Mas, eventualmente, isso pode ocorrer com uma paciente “, diz.

Por isso a principal recomendação é manter o controle do peso , da pressão arterial e dos níveis glicose , bem como realizar atividade física regular , avaliação do crescimento fetal e a vigilância da função placentária.

Chá na gravidez: saiba o que você pode tomar ou não

Guia do Estudante

Viagem e Turismo

Guia + Veja

Veja + Zero Hora

Leia também no

Abril Comunicações S.A., CNPJ 44.597.052/0001-62 - Todos os direitos reservados.

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Revista em Casa + Digital Premium

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app. *Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).

← Health